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domingo, 3 de novembro de 2024

Ver o que é real com os olhos do coração


"Certo dia as esposas do sheik Abdul Qadir al-Gilani se aproximaram dele e disseram: 'Ó possuidor do melhor dos caracteres, teu pequeno filho está morto, e não vimos uma única lágrima em teus olhos, nem tampouco mostraste nenhum sinal de tristeza ou de pesar. Não tens nem um pouco de compaixão por alguém que é uma parte de ti? Nós mesmas estamos encolhidas de dor, enquanto tu segues adiante com teus assuntos como se nada tivesse ocorrido. Tu eras nosso mestre, nosso guia, nossa esperança neste mundo e no próximo, mas se teu coração é duro e não há misericórdia nele, como poderemos nós, que esperávamos contar contigo no Dia do Juízo, acreditar que tu nos salvarás?'. 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Meus encontros com o xiismo - II


Publicamos agora a segunda parte do texto anterior, acerca do xiismo no Sudeste Asiático e a necessidade de respeito à pluralidade dentro da comunidade muçulmana. O link para o texto original -de onde foi retirada a imagem que ilustra o post- está ao final.


Meus encontros com o xiismo: as lições que aprendi (segunda parte)

Mohamed Imran Mohamed Taib

Xiismo e os malaios

À parte os assuntos históricos e filosóficos, eu também estudava literatura malaia. Foi outra janela pela qual comecei a descobrir o pensamento xiita. De fato, percebi que seria uma traição histórica negar o papel que os xiitas desempenharam no Sudeste Asiático. Um dos antigos textos malaios clássicos é o "Hikayat Muhammad Hanafiyyah", do século XVI, e narra o assassinato de Ali e o subsequente martírio de Hussein pelas forças de Yazid em Karbala. Essa antiga presença xiita no mundo malaio também pode ser encontrada em registros arqueológicos e linguísticos, alguns dos quais debatidos em duas obras recém-editadas: "Shi’ism in South East Asia" de Chiara Formichi e Michael Feener e "Sejarah dan Budaya Syiah di Asia Tenggara" de Dicky Sofyan.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Meus encontros com o xiismo - I


O texto que trazemos abaixo é um interessante relato sobre desconstrução de conceitos, a partir da experiência de um muçulmano malaio e sua aproximação com o xiismo. Como é extenso, houvemos por bem publicá-lo em duas partes. O link para o texto original será disponibilizado na continuação.

Meus encontros com o xiismo: as lições que aprendi

Mohamed Imran Mohamed Taib

Tendo nascido na tradição sunni, eu lamentava conhecer pouco de xiismo. Muito pouco, ou mesmo nada, foi ensinado de xiismo na minha formação religiosa primária. Esse enfoque -o de acreditar que há apenas um único Islã: a versão sunita- teria consequências mais tarde. Eu cresci em um período de feroz "salafização" do discurso islâmico. Muita coisa aconteceu no cenário geopolítico nos anos 80, principalmente após a Revolução Iraniana e a reação liderada pela Arábia Saudita. Dada a ausência de ensinamentos sobre o xiismo dentro da tradição muçulmana sunita, ideias anti-xiitas foram facilmente propagadas. Eu, mesmo não sendo anti-xiita, tinha desconfianças sobre esse ramo: parecia estranho, de fora, e mesmo esquisito em relação ao Islã "principal".

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Uma experiência pessoal


Publicamos abaixo o relato do nosso camarada e irmão Irineu, da linha sunita, acerca de sua busca espiritual. Como é dito no texto, trata-se de um processo pessoal e íntimo, variando de indivíduo a indivíduo- e, por isso mesmo, não é possível a ninguém se arvorar em "dono da verdade" ou detentor "exclusivo" da razão.

Espiritualidade e Religião, uma experiência pessoal

al-Hajj Irineu "Yahia" Dourado

Querem saber quando eu realmente comecei a conceber a possibilidade de acreditar na existência de um Poder Superior ou de um Deus Amantíssimo, Generoso, Clemente e Misericordioso?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A pessoa por trás do rótulo


Trazemos abaixo mais um texto do blog "Agnostic Muslim Khutbahs". É sobre os perigos dos rótulos e preconceitos. A imagem do post é Nasrudin, citado no texto, em gravura turca do século XVII.

O que importa é a pessoa por trás do rótulo

Hassan Radwan

"Deus não olha para suas formas ou aparência exterior, mas sim para seus corações e ações" (no Sahih al-Muslim).

Esse hádice enfatiza que não são as manifestações exteriores de uma pessoa, ou como é rotulada, que importam para Deus, e sim aquilo que está dentro dela- a pessoa por trás do rótulo. Não importa se alguém se identifica como muçulmano, cristão, judeu, hindu, ateu ou agnóstico. Da mesma forma, Deus não está preocupado com raça, nacionalidade, gênero ou sexualidade. Deus olha para além de todas essas coisas. Olha diretamente para seu coração, sua alma, seu caráter e suas ações.

sábado, 27 de maio de 2017

Existimos e somos fortes


A matéria abaixo foi publicada em fevereiro deste ano, e tem como personagens muçulmanas LGBTTQI e suas vidas sob a administração de Donald Trump nos EUA. Sua autora é a ativista Samra Habib, idealizadora do projeto fotográfico "Just me and Allah: a Queer Muslim Photo Project", que busca dar visibilidade a lésbicas e gays dentro da comunidade muçulmana. As fotos são do texto original e retratam as entrevistadas.

A imagem que ilustra o post, "Watercolor Muslim Women", é de Rasirote Buakeeree, e foi extraída aqui.

Mulher, muçulmana e lésbica: "Existimos e somos fortes"

Samra Habib

Tem sido difícil ser muçulmano na última semana. Enquanto norte-americanos de todos os credos e religiões protestavam pelo país contra o decreto de Trump que vetou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, vieram as notícias de um atentado a tiros em uma mesquita em Quebec.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Educar é dar exemplo, não exigir obediência


Vai abaixo uma bela história de respeito e tolerância. Fonte ao final.

Educar é dar exemplo, não exigir obediência

Zain Rizvi

"Você quer apanhar, Jafar?", rosnou o professor da nossa madrassa [escola], agitando sobre a cabeça uma régua de quase um metro de comprimento.

"Não, senhor", respondeu o aluno assustado.

"Então pare de falar e comece a ler", grunhiu o Lorde Sith de salwar [roupa típica no continente asiático].

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Escolher agir com amor e aceitação


O texto abaixo fala de homofobia e da necessidade de diálogo entre as comunidades muçulmana e LGBTQA. Propõe, nesse sentido, uma abordagem humanista e inclusiva, que, em nossa opinião, é o verdadeiro espírito islâmico.

Escolher agir com amor e aceitação

Sumaira Mian

Muçulmanos podem ser parceiros da comunidade LGBTQ? Quando faço essa pergunta, geralmente me deparo com três tipos de respostas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Deus, conceito em evolução


O texto abaixo é na linha de um agnosticismo muçulmano, onde, sem deixar de reconhecer a possibilidade de existência da divindade e sua interação com a existência (portanto um agnosticismo teísta), rejeita as concepções tradicionais e antropomorfizadas de Deus. Assim, ao invés da "certeza" arrogante do fundamentalista, apregoa a humildade da dúvida e a aceitação de nossas limitações humanas para compreender o divino.

Deus, conceito em evolução

Hassan Radwan

Um dos meus ahadith favoritos é o qudsi que diz:

Eu sou o que Meu servo acredita que Eu seja.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O mito da homogeneidade muçulmana


O texto abaixo é da ativista e escritora Tithi Bhattacharya, e trata da pluralidade histórica do Islã. Ao contrário do que querem fazer crer os fundamentalistas, a autora destaca que a cultura islâmica é tradicionalmente diversificada e heterogênea.

O mito da homogeneidade muçulmana

Tithi Bhattacharya

Conforme o debate presidencial nos EUA avança, alguém poderia ser levado a acreditar que há uma iminente ameaça de que os muçulmanos tomem o poder.

De acordo com a NPR (National Public Radio), em um comício em New Hampshire Donald Trump defendeu sua proposta de proibir os muçulmanos de ingressarem no país, alegando que "há alguma coisa errada" com os muçulmanos e "sua cultura".

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Um Ramadã diferente


O texto abaixo narra um episódio na comunidade muçulmana LGBTQ norte-americana. Traduzimos e publicamos como tributo do blog ao Ramadã deste ano de 1437 a.H, na busca por um mundo de respeito e inclusão.

A imagem que ilustra o post é o "Ramadã dos pobres" (1938), pelo azerbaijano Azim Azimzade (1880-1943), agraciado com o título honorário de "Artista do Povo" pelo governo comunista soviético.

Um Ramadã diferente

Lamya H

Eu retornei do banheiro e ela estava folheando meu Corão.

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