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quinta-feira, 20 de julho de 2023

A religião como fermento. E o exemplo de Karbala.


Joycemar Tejo
editor do blog
20/07/2023
(no Facebook, aqui)

Dentro da minha militância comunista nunca abri mão do diálogo religioso. Muitos marxistas ortodoxos ficavam de cabelo em pé; "ópio do povo" e pipipi popopó. Para mim isso sempre foi uma leitura rasa e reducionista do próprio texto de onde o trecho foi pinçado (a "Introdução à 'Crítica da Filosofia do Direito de Hegel'") e, como quer que seja, não tenho problema nenhum em aceitar o meu marxismo como heterodoxo, ou mesmo como um simples filomarxismo, caso se entenda que o ateísmo é componente essencial da ferramenta marxiana.

sábado, 30 de setembro de 2017

Em lembrança de Hussein


Publiquei a sequência abaixo em meu perfil no Facebook, ao longo dos dez primeiros dias de Muharram do ano passado (2016 [1438 aH]), em lembrança do martírio de Hussein e seus companheiros em Karbala. Reproduzo agora, no Oceano da Paz, nos marcos da Ashura deste ano de 2017.

A imagem que ilustra o post é "Noite de Ashura" pelo iraniano Mahmoud Farshchian. A frase "Todo dia..." é de Ali Shariati.

***

"Todo dia é Ashura, toda terra é Karbala" (1).

Hussein ibn Ali ibn Abu Talib não poderia prestar juramento a um governo ilegítimo. O Califado, profundamente degenerado, se convertera em uma perversão do Islã original. O que é venerável não é o nome, o título ou o cargo, mas a obra. 3/10/16

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Aquele que é semelhante ao Mensageiro de Allah


O texto abaixo traz uma passagem da vida de Hussein ibn Ali ibn Abu Talib, onde o imam prevê o martírio de seu filho Ali al-Akbar e a tragédia de Karbala. O jovem Ali era considerado o mais parecido com o bisavô Muhammad. Segundo Al-Khazraji ("A revolução do Imam Al-Hussein", editora Arresala), Ali era "a imagem do Profeta", de modo que o povo dizia que "quando sentíamos saudades do Profeta olhávamos para ele".

Interessante notar que o tema do nosso post anterior, sonhos, também aparece aqui. Acerca do antipático costume de proibição de não-muçulmanos nas mesquitas, logo no início do texto, há que registrar que é objeto de controvérsia, variando conforme o lugar, a época e escola de jurisprudência adotada (como é explicado aqui).

Um certo dia um cristão ingressou na Mesquita do Mensageiro de Allah e o povo exclamou: "Ei, você! Você não tem permissão para entrar na Mesquita do Mensageiro de Allah, porque é cristão. Então saia."

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hussein, ou o martírio como ato de amor


Reproduzimos abaixo um pequeno trecho da obra Reason, Faith and Revolution, do militante e intelectual marxista inglês Terry Eagleton. Fala sobre o ato de martírio e o quão se difere da morte banal e destrutiva dos terroristas. Após o texto, há um vídeo do clérigo iraquiano radicado no Canadá, Usama al-Atar, performando Every day is Ashura, every land is Karbala. A imagem que ilustra o post é Sacrifice Karbala, e foi extraída aqui.

É o nosso tributo a Hussein ibn Ali ibn Abu Talib, a paz seja com ele e com toda a Casa Profética, na Ashura deste ano de 1438 a.H.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Mas não um estranho aos nossos olhos


Segue abaixo nossa tradução, em versos livres, para poesia de Nouri Sardar. O tema é Ali ibn Musa al-Ridha [Reza], (765-818 [?]), 8º imam do xiismo duodecimal. A reiterada insistência na palavra "estranho", no poema, é alusão ao período vivido pelo imam em Messhed [Mashhad, Mexed], em Khorasan, no Irã oriental, para onde foi levado de Medina por ordem do califa abássida Al-Ma'mun (também citado nos versos), daí ser conhecido como "O Estranho [Estrangeiro] de Khorasan". A imagem que ilustra o post é "Imam Reza" por "shia_ali", no sítio DeviantArt.

Mas não um estranho aos nossos olhos

Nouri Sardar

Outrora separado daqueles que ama,
hoje, rei de milhões de corações.
Se o pesar abate alguém,
conte a ele de Ali al-Ridha.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Eles me dizem para não amaldiçoar Yazid


O pequeno texto abaixo é atribuído ao professor Sayed Ammar Nakshawani. O tema é o perdão e a misericórdia infinita da divindade -Ar-Rahman, Ar-Rahim, o Clemente, o Misericordioso- e também sobre a prática da lanah [la'nah], ou seja, a maldição imprecada contra inimigos. É prudente que não a façamos: tudo que vai, volta, caso imerecido. Mas se o amaldiçoado pode ser beneficiário de perdão, também o seria o amaldiçoador.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Ditos sobre Fátima al-Zahra


O texto abaixo é sobre Fátima bint Muhammad al-Zahra [Senhora da Luz, a Resplandecente], e reúne falas da tradição profética sobre ela e outras mulheres notáveis na tradição islâmica. Fátima, a paz seja com ela, tem uma importância singular: filha do Profeta, esposa de Ali e mãe de Hassan e Hussein, sendo um exemplo cuja inspiração nos chega até hoje.

"Com Fátima como modelo, nós aprendemos a combater a injustiça e a opressão. Nós nos voltamos para os outros. Tornamo-nos ativamente envolvidos nas mazelas sociais porque ela, como ela era, é nosso símbolo, nosso modelo, nossa heroína" (Laleh Bakhtiar).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Noções jurídicas e o "Tratado dos Direitos" do imam al-Sajjad


O documento a seguir versa sobre Direito -definição do fenômeno jurídico, regramento social através do Corão, escolas islâmicas (madhhabs) de jurisprudência- e sobre a clássica obra de Ali ibn Hussein, o "Tratado dos Direitos" (Risalat al-Huquq), que apesar de não abordar comandos propriamente jurídicos traz regras morais de conduta cuja observância indiscutivelmente faria deste mundo um lugar menos "litigioso".

A gravura que escolhemos para ilustrar o post é de "Uma Aula de Corão" de Numa Marzocchi de Bellucci (1846–1930). Clique na imagem abaixo para acessar o arquivo "Noções jurídicas e o 'Tratado dos Direitos' do imam al-Sajjad" em PDF. O texto-apêndice citado ao final, de Taha, é este.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O imam al-Sadiq responde aos racistas


O episódio narrado a seguir tem como personagem Jafar ibn Muhammad al-Sadiq [o Verdadeiro] (702-762), 6º imam da Casa Profética -a paz seja com eles- e fundador da escola jafari de jurisprudência. O tema é o racismo: diante do odioso crime de discriminação do outro por não possuir a mesma aparência ou tom de pele, o imam lembra que todos os homens são iguais, e que seu traço distintivo é sua virtude.

Al-Sadiq (a paz seja com ele) é figura relevantíssima para o xiismo. Como diz Bruce Lawrence ("O Corão: uma biografia", Zahar, trad. Maria Luiza Borges): "A condição de imame funda-se na linhagem, mas depende também do caráter. Ja'far é conhecido como as-Sadiq ou o Verdadeiro porque foi sua dedicação à verdade que fez dele o mais importante dos imames xiitas depois de Ali e do filho caçula deste, o mártir Hussein".

domingo, 6 de dezembro de 2015

Karbala, um marco na luta pelos direitos humanos


Compartilhamos agora o texto de autoria do sheikh (e político do partido Pakistan Awami Tehrik) paquistanês Muhammad Tahir ul-Qadri, versando sobre o martírio do imam Hussein ibn Ali ibn Abu Talib e seus companheiros e familiares em Karbala, e a dimensão libertadora, política -em seu sentido maior- e revolucionária do levante do imam.

A imagem que ilustra o post, "Moharam" por "shia_ali" (no sítio Deviantart), retrata o momento em que o Imam Hussein se dirige às tropas do califado para solicitar água para seu filho de apenas seis meses de idade, Ali al-Asghar, sedento em razão do cerco sofrido pela família do imam. Ao pedido humanitário, os soldados de Yazid respondem com flechas, alvejando o menino que veio a falecer, se tornando o mais jovem mártir de Karbala.

Clique na imagem abaixo para acessar o arquivo em PDF com o texto de Qadri.


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