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sábado, 30 de setembro de 2017

Em lembrança de Hussein


Publiquei a sequência abaixo em meu perfil no Facebook, ao longo dos dez primeiros dias de Muharram do ano passado (2016 [1438 aH]), em lembrança do martírio de Hussein e seus companheiros em Karbala. Reproduzo agora, no Oceano da Paz, nos marcos da Ashura deste ano de 2017.

A imagem que ilustra o post é "Noite de Ashura" pelo iraniano Mahmoud Farshchian. A frase "Todo dia..." é de Ali Shariati.

***

"Todo dia é Ashura, toda terra é Karbala" (1).

Hussein ibn Ali ibn Abu Talib não poderia prestar juramento a um governo ilegítimo. O Califado, profundamente degenerado, se convertera em uma perversão do Islã original. O que é venerável não é o nome, o título ou o cargo, mas a obra. 3/10/16

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O respeito à diferença no Corão


O texto a seguir trata da diversidade existente na natureza, cuja constatação -presente no texto corânico- nos leva necessariamente ao cuidado com o meio ambiente e ao respeito ao próximo (contra todos os racismos ou pretensões de superioridade sobre os demais), com foco, em especial, na igualdade entre homem e mulher.

O respeito à diferença no Corão

Ahmad Jalil

Uma criação diversificada

Al-Lah (O Uno) criou o universo (do latim universus, tudo que existe) e o fez diversificado já desde a unidade: "Kun fayakūn!" ("Seja!, e é") [nota do blog: a expressão aparece por exemplo em 2:117, trad. Hayek: "(...) quando decreta algo, basta-Lhe dizer: "Seja!" e ele é"]. Essa diversidade contribui para a beleza e harmonia do cosmos (do grego cosmo-ous, ordem). As diversas criaturas, sejam animais ou plantas, com sua vida e morte trazem equilíbrio para os ecossistemas. Os quatro elementos, opostos em sua natureza (terra, ar, água e fogo) formam a "unidade diversificada" da qual o ser humano é colocado como Califa, representante, responsável por toda essa bela diversidade. Al-Lah fez deste mundo o lar de todas as criaturas e, dentre elas, o ser humano, chamado a ser um Califa justo e amoroso para com todos os demais seres, do mais minúsculo ao maior de todos. Essa diversidade é admirável e comovente. É o sinal mais evidente de Al-Lah e o livro cuja leitura (observação) está repleta de mensagens para aqueles capazes de compreender. Diante dela o ser humano observa, reflete, se maravilha e se rende:

sábado, 15 de julho de 2017

A mística que escandaliza os ortodoxos


O fragmento abaixo, sobre o sufismo, é do acadêmico holandês Peter Robert Demant (não confundir com o escritor russo Peter Demant). A imagem que ilustra o post é o santuário do mestre sufi Abdul Qadir al-Gilani (1078-1166), em Bagdá, Iraque.

O sufismo
Peter R. Demant

A ortodoxia que hoje em dia constitui a versão normativa do islã conquistou tal posição gradualmente, mediante lutas, muitas vezes radicais, contra o que originalmente era uma religião mais pluralista.  Ao longo de sua história, o islã desenvolveu uma variedade de estilos religiosos que constituíam opções para os fiéis. Uma dessas era o misticismo movido pelo “amor a Deus”, o qual, carregado de influências monásticas cristãs e gnósticas, buscava a reunião da alma com o Criador. A ênfase do islã na distância entre Deus e suas criaturas (associada à ausência de tendências ascéticas) não parecia predispô-lo à meditação. Contudo, havia sempre indivíduos a quem uma religião primariamente ritual e social não satisfazia. Tentativas para estabelecer um laço mais íntimo e individual com Deus apareceram desde o século VIII. Místicos desenvolveram uma gama de técnicas espirituais para alcançar a experiência da proximidade e da união com Ele (a mais conhecida é o dhikr, lembrança, que consiste na repetição dos nomes divinos para alcançar  um estado de êxtase).

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