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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O respeito à diferença no Corão


O texto a seguir trata da diversidade existente na natureza, cuja constatação -presente no texto corânico- nos leva necessariamente ao cuidado com o meio ambiente e ao respeito ao próximo (contra todos os racismos ou pretensões de superioridade sobre os demais), com foco, em especial, na igualdade entre homem e mulher.

O respeito à diferença no Corão

Ahmad Jalil

Uma criação diversificada

Al-Lah (O Uno) criou o universo (do latim universus, tudo que existe) e o fez diversificado já desde a unidade: "Kun fayakūn!" ("Seja!, e é") [nota do blog: a expressão aparece por exemplo em 2:117, trad. Hayek: "(...) quando decreta algo, basta-Lhe dizer: "Seja!" e ele é"]. Essa diversidade contribui para a beleza e harmonia do cosmos (do grego cosmo-ous, ordem). As diversas criaturas, sejam animais ou plantas, com sua vida e morte trazem equilíbrio para os ecossistemas. Os quatro elementos, opostos em sua natureza (terra, ar, água e fogo) formam a "unidade diversificada" da qual o ser humano é colocado como Califa, representante, responsável por toda essa bela diversidade. Al-Lah fez deste mundo o lar de todas as criaturas e, dentre elas, o ser humano, chamado a ser um Califa justo e amoroso para com todos os demais seres, do mais minúsculo ao maior de todos. Essa diversidade é admirável e comovente. É o sinal mais evidente de Al-Lah e o livro cuja leitura (observação) está repleta de mensagens para aqueles capazes de compreender. Diante dela o ser humano observa, reflete, se maravilha e se rende:

sábado, 15 de julho de 2017

A mística que escandaliza os ortodoxos


O fragmento abaixo, sobre o sufismo, é do acadêmico holandês Peter Robert Demant (não confundir com o escritor russo Peter Demant). A imagem que ilustra o post é o santuário do mestre sufi Abdul Qadir al-Gilani (1078-1166), em Bagdá, Iraque.

O sufismo
Peter R. Demant

A ortodoxia que hoje em dia constitui a versão normativa do islã conquistou tal posição gradualmente, mediante lutas, muitas vezes radicais, contra o que originalmente era uma religião mais pluralista.  Ao longo de sua história, o islã desenvolveu uma variedade de estilos religiosos que constituíam opções para os fiéis. Uma dessas era o misticismo movido pelo “amor a Deus”, o qual, carregado de influências monásticas cristãs e gnósticas, buscava a reunião da alma com o Criador. A ênfase do islã na distância entre Deus e suas criaturas (associada à ausência de tendências ascéticas) não parecia predispô-lo à meditação. Contudo, havia sempre indivíduos a quem uma religião primariamente ritual e social não satisfazia. Tentativas para estabelecer um laço mais íntimo e individual com Deus apareceram desde o século VIII. Místicos desenvolveram uma gama de técnicas espirituais para alcançar a experiência da proximidade e da união com Ele (a mais conhecida é o dhikr, lembrança, que consiste na repetição dos nomes divinos para alcançar  um estado de êxtase).

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Fundamentalismo e integrismo


O texto abaixo, conforme o link original, foi extraído da edição espanhola do livro de ensaios "A Passo de Caranguejo", do italiano Umberto Eco (1932-2016). Trata de conceitos como fundamentalismo, integrismo e intolerância e de suas diferenças e similaridades. A imagem que ilustra o post é uma marcha de apoiadores do "Estado Islâmico" (Daesh) em Mosul, Iraque, em junho de 2014.

Fundamentalismo e integrismo

Umberto Eco

Nas últimas semanas tem se falado muito sobre o fundamentalismo islâmico, de modo que se esquece que há também um fundamentalismo cristão, especialmente nos Estados Unidos. Dirão então que os fundamentalistas cristãos fazem programas de televisão aos domingos, enquanto os fundamentalistas islâmicos derrubam as Torres Gêmeas- portanto devemos nos preocupar é com esses últimos.

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