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sábado, 15 de julho de 2017

A mística que escandaliza os ortodoxos


O fragmento abaixo, sobre o sufismo, é do acadêmico holandês Peter Robert Demant (não confundir com o escritor russo Peter Demant). A imagem que ilustra o post é o santuário do mestre sufi Abdul Qadir al-Gilani (1078-1166), em Bagdá, Iraque.

O sufismo
Peter R. Demant

A ortodoxia que hoje em dia constitui a versão normativa do islã conquistou tal posição gradualmente, mediante lutas, muitas vezes radicais, contra o que originalmente era uma religião mais pluralista.  Ao longo de sua história, o islã desenvolveu uma variedade de estilos religiosos que constituíam opções para os fiéis. Uma dessas era o misticismo movido pelo “amor a Deus”, o qual, carregado de influências monásticas cristãs e gnósticas, buscava a reunião da alma com o Criador. A ênfase do islã na distância entre Deus e suas criaturas (associada à ausência de tendências ascéticas) não parecia predispô-lo à meditação. Contudo, havia sempre indivíduos a quem uma religião primariamente ritual e social não satisfazia. Tentativas para estabelecer um laço mais íntimo e individual com Deus apareceram desde o século VIII. Místicos desenvolveram uma gama de técnicas espirituais para alcançar a experiência da proximidade e da união com Ele (a mais conhecida é o dhikr, lembrança, que consiste na repetição dos nomes divinos para alcançar  um estado de êxtase).

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Fundamentalismo e integrismo


O texto abaixo, conforme o link original, foi extraído da edição espanhola do livro de ensaios "A Passo de Caranguejo", do italiano Umberto Eco (1932-2016). Trata de conceitos como fundamentalismo, integrismo e intolerância e de suas diferenças e similaridades. A imagem que ilustra o post é uma marcha de apoiadores do "Estado Islâmico" (Daesh) em Mosul, Iraque, em junho de 2014.

Fundamentalismo e integrismo

Umberto Eco

Nas últimas semanas tem se falado muito sobre o fundamentalismo islâmico, de modo que se esquece que há também um fundamentalismo cristão, especialmente nos Estados Unidos. Dirão então que os fundamentalistas cristãos fazem programas de televisão aos domingos, enquanto os fundamentalistas islâmicos derrubam as Torres Gêmeas- portanto devemos nos preocupar é com esses últimos.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A pessoa por trás do rótulo


Trazemos abaixo mais um texto do blog "Agnostic Muslim Khutbahs". É sobre os perigos dos rótulos e preconceitos. A imagem do post é Nasrudin, citado no texto, em gravura turca do século XVII.

O que importa é a pessoa por trás do rótulo

Hassan Radwan

"Deus não olha para suas formas ou aparência exterior, mas sim para seus corações e ações" (no Sahih al-Muslim).

Esse hádice enfatiza que não são as manifestações exteriores de uma pessoa, ou como é rotulada, que importam para Deus, e sim aquilo que está dentro dela- a pessoa por trás do rótulo. Não importa se alguém se identifica como muçulmano, cristão, judeu, hindu, ateu ou agnóstico. Da mesma forma, Deus não está preocupado com raça, nacionalidade, gênero ou sexualidade. Deus olha para além de todas essas coisas. Olha diretamente para seu coração, sua alma, seu caráter e suas ações.

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